quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Babel

Este é o terceiro episódio da serei criada pelo diretor, não deixe de conferir também, "Amores brutos e 21 gramas".
Babel; conquistou o prêmio de melhor filme, trilha sonora e diretor. Uma obra prima de Alejandro González e do magnífico elenco.
Fala sobre os abismos que existem entre as pessoas, válido para todos habitantes do planeta. Tudo aquilo que nos diferencia do outro é um abismo entre nós.
Um acidente em Marrocos desencadeia vários eventos que ligam quatro grupos de pessoas separadas pela distância e diferenças culturais, as mesmas vão se conectando no decorrer da história. Um caçador japonês viaja ao Marrocos e presenteia um amigo que fizera por lá, dando-lhe um rifle de caça. A arma mais tarde é vendida para uma família que vivia nas montanhas. Dois garotos brincando com ela, atingem uma turista americana dentro de um ônibus de excursão. A mulher baleada tem dificuldades em ser socorrida, devido estar num país estrangeiro, mesmo com todos os esforços de seu esposo, ela fica a mercê da embaixada americana. Um morador de uma cidade próxima de onde ocorreu o acidente, oferece sua casa para que ela fique até chegar o socorro. No outro lado do mundo, o dono da arma é procurado para prestar depoimentos à polícia japonesa, no entanto, quem tem contato com os policiais não é o dono do rifle, mas sim sua filha que possui uma deficiência auditiva. Enquanto o casal americano aguarda socorro, seus filhos ficam com uma babá mexicana, ela querendo participar do casamento de seu filho leva as crianças para o país vizinho, tudo teria corrido bem se não fosse pelo motorista estar alcoolizado e ter uma divergência com os guardas na fronteira. Esse fato faz a babá perder as crianças no deserto, ser detida e mais tarde ser despedida de seu emprego.
As barreiras que estão entre os seres humanos são incontáveis, uma delas pode ser percebida pelo título da obra, Babel é uma referência ao mito religioso sobre a origem dos diferentes idiomas e interesses próprios.
O primeiro abismo que separa a humanidade é a distância, logo seguido pelos valores culturais e subjetividades, depois vem idiomas, desejos, peculiaridades, imagem pública, gênero sexual, nacionalidade, deficiências, religião entre outros mais. Uma barreira quase imperceptível no filme é a comunicação, muitas vezes nós acreditamos ou queremos crer que só existe um meio de se comunicar, mas a guria japonesa, mostra que um surdo pode falar por sinais, letras e utilizando-se de meios tecnologicos.
As crianças americanas ficam chocadas com as festas do povo mexicano que mata animais com as próprias mãos, essa prática é exótica não só para americanos, mas dentro de um país há costumes que não são aceitos por toda sua população.
O incesto não é aceito nas comunidades religiosas de origem judaico-musulmanas-cristã (ao menos não hoje), mesmo assim o garoto marroquino deseja sua irmã, ela insinua-se para o mesmo e ambos sabem que tal prática era motivo de vergonha para a família que tinha seus valores baseados na religião.
A garota japonesa queria encontrar um namorado e por conta de sua deficiência auditiva essa era uma tarefa extremamente difícil. Os jovens conhecem a diversão nos mais variados níveis de consciência, às vezes para obterem um momento divertido recorrem a substancias químicas ou drogas como chamamos. O consumo de drogas é altamente criticado por adultos conservadores, mas amplamente aceito no universo juvenil. Nas cenas envolvendo a filha do caçador notamos muitas das barreiras que ficam entre a humanidade, o policial não pode envolver-se com ela por ser um agente do governo, por ele ser mais velho que ela e possivelmente por ser casado.
Essas linhas imaginárias que nos distanciam, não são certas nem erradas, apenas mantém cada ser humano incalculavelmente distante de outro. A teoria do caos pode ser vista no filme, um evento aparentemente desconexo de qualquer outra coisa no mundo, muda a vida de pessoas ao redor dele. Todos os eventos são aparentemente restritos ao seu país, mas aos poucos um conecta-se ao outro de forma que tudo se transforma numa única história, o que nos chama atenção para vigiarmos melhor nossos atos, pois, não sabemos quais as possíveis conseqüências que sofreremos por atravessar a rua.
Nós não percebemos o quanto a humanidade é fragmentada, mas se pararmos dez minutos para pensar nos níveis de relação social que temos, perceberemos que estamos entrando num labirinto de espelhos, quanto mais se cria graus de relação entre um ser humano e outro, menos eles interagem. Para se ter noção dessas fragmentações pode-se pensar em como tratamos, o melhor amigo, um conhecido, o amor de nossas vidas, um inimigo, uma pessoa de crença diferente, um policial, o médico, o patrão, nossos empregos, o professor, o filho, nossos ídolos, um desconhecido no ponto de ônibus, o fora da lei, nossos irmãos e até nós mesmos. Esses abismos estão mais presentes em nosso cotidiano do que se pode imaginar, não precisamos evitá-los, só tomar cuidado para que não cresçam cada vez mais ao ponto de perdermos o semelhante de vista.

Um comentário:

  1. hahaha ... é óbvio que não seria menos do que isso.
    Fico pensando, como você vê essas coisas.
    As vezes eu vejo mas fico em dúvida e depois que alguém comenta aí sim sinto segurança na minha compreenção.

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