segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Donnie Darko

O filme conta histórias entrelaçadas, misturando realidade, filosofia e estudos sobre física moderna.
O enredo do filme não é algo impressionante, é apenas um garoto que se comunica com um personagem vindo do futuro e que pretende muda-lo.
O que mais chama atenção é a filósofia exposta num livro escrito por uma ex professora do instituto onde Donnie estuda.
A Filosofia da Viagem no Tempo Donnie Darko Escrito por Roberta Sparrow (ou a avó da morte) em outubro de 1944, pretende-se como um guia simples e direta em um momento de grande perigo. Donnie é dado o livro em outubro de 1988 por seu professor de ciências, o professor Monnitoff, durante um tempo em que Donnie está experimentando vários acontecimentos estranhos e surreais, não menos do que um motor a jato através de quebrar o telhado de sua casa. Um motor a jato que não tenha sido dado como desaparecido a partir de qualquer avião. O livro é dividido em vários capítulos, cada um dos quais são descritos abaixo. Preâmbulo- O preâmbulo contém uma breve introdução por Roberta Sparrow, e termina com as palavras: Rezo para que esta é apenas uma obra de ficção. Se não for, então eu rezo por você, leitor deste livro.Se eu ainda estou vivo quando os eventos previstos nestas páginas ocorrer, então eu espero que você vai me encontrar antes que seja tarde demais. O Universo Tangent Este artigo descreve o conceito do Universo Primário, que habitamos, a quarta dimensão do tempo, eo Universo Tangente altamente instável. A formação de um Universo Tangente é um evento extremamente perigoso, que pode causar o colapso e destruição do Universo Primário. O objetivo do livro é servir como um guia para a escolhida para acabar com o Universo Tangente, e assim proteger a Universidade Primária

Água e Metal- Os dois elementos-chave em viagens no tempo são a água eo metal. A água é o elemento utilizado para a construção de Portais de Tempo e metal é usado para construir navios Artefato. O Artefato ea Vida O artefato é um objeto metálico que sinaliza a formação de um Universo Tangente, e aparecem sob circunstâncias misteriosas e inexplicáveis. A vida são atraídos para o artefato, e conduzido para tentar descobrir sua origem. The Living Receiver O Receptor Vivo é a pessoa escolhida para orientar o Artefato de volta ao Universo Primário, fechando assim o Universo Tangente antes que ele possa fatalmente em colapso. O Receptor Vivo também é abençoada com poderes sobrenaturais durante o tempo do Universo Tangente: aumento da força e do controle da mente como exemplos. O Receptor Vivo também é atormentado por sonhos e visões durante seu tempo no Universo Tangente: um sinal de que as coisas não estão bem. Os Manipulados Vivos Os Manipulados Vivos são geralmente amigos íntimos ou pessoas ao redor do Receptor Vivo, que por sua vez, está centrada no artefato. Os Manipulados Vivos são propensos a um comportamento irracional: um resultado da sua missão de ajudar o Receptor Vivo em devolver o artefato ao Universo Primário. Mortos Manipulados Mortos Manipulados são mais poderosos que o Receptor Vivo: estas são as pessoas que morreram dentro do espaço do Universo Tangente, e pode atravessar a Quarta Dimensão -barreira para se comunicar com o Receptor Vivo. Eles também manipular os acontecimentos de tal forma que não há escolha, mas para devolver o artefato ao Universo Primário. . A Filosofia da Viagem no Tempo Prefácio Eu gostaria de agradecer as irmãs da JohnChapter Saint em Alexandria, Virgínia, pelo seu apoio (em minha decisão) Pela graça de Deus, são elas: Irmã Irmã Francesca Lewis Eleance Godard Irmã Helen Davis Irmã Catarina (Arnold) Irmã Mary Lee PondSister Virginia (Weaver) .... Essa intenção (?) deste pequeno livro é para ser usado como guia de Asimple e direta em um momento de grande perigo. Rezo para que esta é apenas uma obra de ficção. Se não for, então eu rezo por você, leitor deste livro. .... Se eu ainda estou vivo quando os eventos previstos nestas páginas ocorrer, então eu espero que você vai me encontrar antes que seja tarde demais. Roberta Ann Sparrow Outubro de 1944 Capítulo Um O Universo Tangente -.... O Universo Primário está repleto de grande perigo. Guerra, peste, fome e desastres naturais são comuns. A morte vem para todos nós. .... A quarta dimensão do tempo é um construto estável, embora ele não é impenetrável. Incidentes .... quando o tecido da quarta dimensão, torna-se corrompido são incrivelmente raras. .... Se um Universo Tangente ocorrer, será altamente instável, sustentando-se por não mais que algumas semanas. .... Eventualmente isso vai cair em cima si, formando um buraco negro dentro do Universo Primário capaz de destruir toda a existência. Capítulo Dois água e metal. A água eo metal são os elementos-chave do tempo de viagem. .... A água é o elemento de barreira para a construção de Portais de Tempo utilizados como gateways entre universos no Vortex Tangente. .... Metal é o elemento (de transição) para a construção de navios Artefato. Capítulo Quatro O artefato e A Vida -.... Quando um Universo Tangente ocorre, os livingnearest ao Vortex irão encontrar-se no epicentro de um perigoso mundo novo. .... Artefatos fornecer o primeiro sinal de que um Universo Tangente ocorreu. .... Se um artefato ocorre, a vida vai recuperá-lo com grande interesse e curiosidade. Os artefatos são formados a partir de metal, como uma seta de um Mayancivilization antiga, ou uma espada de metal da Europa Medieval. .... Artefatos retornou ao Universo Primário estão frequentemente ligadas a iconografia religiosa, como sua aparição na Terra parece desafiar a explicação lógica..... Intervenção Divina é considerada a única conclusão lógica para o aparecimento do artefato. Capítulo Seis O Receptor Vivo .... O Receptor Vivo é escolhido para orientar o Artefato em posição de sua jornada de volta ao Universo Primário. Ninguém sabe como ou por que um receptor será escolhido. .... O Receptor Vivo é muitas vezes (abençoada) com uma quarta dimensão Power (s). Estes incluem o aumento da força, telecinese, controle da mente ea capacidade de conjurar fogo e água. .... O Receptor Vivo é freqüentemente atormentado por sonhos terríveis, visões e alucinações auditivas durante seu tempo no Universo Tangente. .... Os que cercam a vida do receptor, conhecido como o manipulado, medo dele e tentar destruí-lo. Capítulo Sete O Manipulados Vivos- .... Os Manipulados Vivos são muitas vezes os amigos próximos e vizinhos do Receptor Vivo. .... Eles são propensos a um comportamento irracional, bizarro, e muitas vezes violento. Este é o resultado infeliz de sua tarefa, que é contribuir para o Receptor Vivo em devolver o artefato ao Universo Primário. .... Os Manipulados Vivos vai fazer nada para salvar-se do esquecimento. Capítulo Dez O Manipulados Dead .... Os Mortos Manipulados são mais poderosos que o Receptor Vivo. Se uma pessoa morre no âmbito da Dimensão Tangente, eles são capazes de contactar o LivingReceiver através do Construct quadridimensional. A Quarta Dimensão Construir é feito de água. .... Os Mortos Manipulados irá manipular o Receptor Vivo usando a Quarta Dimensão Construir (ver apêndice A e B). .... Os Mortos Manipulados, muitas vezes, uma armadilha Ensurance para o Receptor Vivo para assegurar que o artefato é retornado com segurança ao Universo Primário. .... Se o Trap Ensurance for bem sucedida, o Receptor Vivo é deixado com nenhuma escolha mas para usar a sua quarta dimensão poder enviar o Artefato de volta no tempo para o Universo Primário antes que o buraco negro entra em colapso sobre si mesmo. Capítulo Doze sonhos .... Quando desperta o Manipulado de sua jornada para o Universo Tangente, são frequentemente assombrados pela experiência em seus sonhos. Muitas delas não se lembrará. .... Quem se lembra da viagem são muitas vezes sobre-vêm com remorso profundo para as ações lamentáveis enterrado dentro de seus sonhos, a única evidência física enterrado dentro do artefato em si, tudo o que resta do mundo perdido. .... O mito antigo nos fala da maia guerreiro morto por uma flecha que caiu de um penhasco, onde não havia nenhum exército, nenhum inimigo a ser encontrado. .... Nós somos ditos do cavaleiro medieval misteriosamente empalado pela espada que ele ainda não tinha construído. Dizem-nos que estas coisas acontecem por uma razão.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ensaio sobre a cegueira

O filme conta uma história fictícia, onde toda a população de uma cidade é afetada por uma estranha epidemia. Trata-se de uma cegueira. Diferente da idéia tradicional que carregamos de que os cegos vivem na escuridão total, esta é uma cegueira branca. O filme é uma adaptação da obra homônima escrita por José Saramago.
Logo no início, um homem fica cego repentinamente, depois dele um a um, os cidadãos vão sendo infectados por essa epidemia, sem a menor explicação cientifica.
A película nos traz inúmeras informações importantes para compararmos com nossa realidade, entende-la um pouco melhor e se possível evitar algumas coisas.
Nossa sociedade é centrada na visão, este talvez seja o sentido mais importante ou mais explorado por nós, para ter uma dimensão disto, basta uma caminhada de dez minutos pelas ruas da cidade e notaremos uma infinidade de cartazes, outdoors, panfletos, grafites, anúncios em televisões nos transportes coletivos, sem falar na coloração de objetos e comércios. Nossa sociedade é dependente da propaganda visual. Não só da propaganda, mas da visão, até mesmo numa conversa nós falamos ao outro “veja bem” ou “Quer que eu desenhe?” para frisar nossas palavras.
Estamos sobrecarregando o sentido da visão, esquecendo dos outros. Existem estudos que permite definir uma pessoa somente pela gesticulação, basta observa-la e em poucos minutos pode-se dizer como é a personalidade dela. É assustador pensar numa epidemia como a que é retratada no filme, pois, dentro de algumas horas nosso mundo seria tomado pela barbárie, visto que somos praticamente incapazes de organizarmo-nos sem usar esse sentido.
Podemos perceber na história do filme, a influência que o Liberalismo tem em nossa vida. Assim que surge uma oportunidade um rapaz começa colocar preço na comida que era entregue a todos. A ambição pelo poder também é encontrada na obra, quando o rapaz que assume o titulo de rei, quer que todos o obedeçam e elimina qualquer tipo de assistência, fazendo com que a concorrência cresça a cada minuto e é óbvio que só os mais fortes (ou mais armados no caso) sobreviverão. Numa outra cena as pessoas começam definir propriedades, desenvolvendo egoísmo e aniquilando os competidores (no mercado).
Numa outra cena, mostra o líder dos internos fazendo um discurso, dando o valor de cada refeição, algumas pessoas ficam revoltadas com a atitude dele, mas devido a ele possuir uma arma de fogo, aceitam suas condições. Nos corredores, voltando cada um para sua ala, um rapaz comenta com outro que não obedeceria ao líder por ele ser negro, nesse exato momento podemos perceber o racismo contido no homem que fez o comentário, pois, mesmo incapacitado de ver a cútis do opressor, ele julga suas ações colocando como errado, injusto, oportunista, e desumano aquela raça a qual ele nutre um ódio irracional.
O sectarismo é outro ponto forte do filme. Todas as pessoas que contraíam a exótica doença eram encaminhadas a um manicômio antigo e abandonado, nem todas eram levadas de modo sutil, a intolerância falando mais alto nos militares faz com que usem de métodos violentos para capturá-los e mantê-los no prédio. As próprias pessoas começam a evitar contato com os infectados e isolam os doentes, como se fosse uma grande apartheid.
Uma característica muito importante do filme que foi mantida desde a obra original, é que nenhum personagem possui de fato um nome, todos eles são conhecidos pela profissão que exerce ou por algum adjetivo, como a moça de óculos, o japonês, o rapaz que roubou o carro, o doutor, a criança, a contabilista e daí por diante.
O fato de ninguém ter um nome definido pode ser compreendido de diversas formas, eu tratei desse assunto pensando que se existir alguém que não possa ver talvez essa pessoa tenha mais ou menos importância para mim. Nem tudo que damos um nome pode ser visto, nem tudo o que vemos podemos distinguir apenas por nome. O nome é algo forte, pois, está associado ao sentido da visão (ou da comprovação no caso de quem não pode ver). No filme o nome das pessoas é totalmente descartado, nem mesmo nas relações sexuais elas se reconhecem por nomes. Quando se tira o nome de uma pessoa, torna-se mais difícil descreve-la, pois, teremos de prestar mais atenção nos detalhes peculiares, o que não fazemos no cotidiano, mesmo explorando a visão mais do que os outros sentidos, ela só é usada para ver a superficialidade, a aparência generalizada. Quando algo possui um nome, mesmo estando distante, pode ser lembrado unicamente pelo nome, quando não tem torna-se necessário sua presença.
A estética desaparece quando não temos um padrão visual no qual nos apoiar. Todos se tornam lindos quando nenhum pode ver o outro. Ao menos uma igualdade estética é possível de ser estabelecida, devido não haver necessidade de expressa-la e ninguém que lucre com a mesma.
Rousseau dizia que o ser humano nasce bom, mas a sociedade o corrompe. No filme temos um exemplo que se aproxima disso, no manicômio havia um cego de nascença que trabalhava para o auto proclamado líder, como contabilista. Ele nasceu com deficiência visual e foi excluído de muitos eventos sociais, como todos aqueles que não se encaixam no parâmetro social, mesmo sabendo que todos ali sofriam do mesmo mal ele se presta a extorqui-los, isso por ter se juntado ao grupo que começou a dominar o local de forma opressora, caso tivesse ficado no lado oposto teria um discurso favorecendo os enfermos. A esposa do doutor sempre foi uma pessoa gentil e dócil, mas depois de passar por humilhações ela revida com violência. O âmbito social pode mudar realmente o que as pessoas pensam.
O casal japonês possui uma religião tradicional e conservadora. Diante das dificuldades a mulher passa por cima de seus valores culturais para garantir a sobrevivência de todos, mesmo o marido não aceitando tais ações. Os valores culturais estão presentes em todos, mesmo estando todos na mesma situação cada um carrega suas particularidades.
A violência gratuita é apresentada no filme através das ações policiais, capturando as pessoas nas ruas e casas, mantendo presos os infectados mesmo que fosse necessário atiram neles por saírem de uma fila indiana.
Existem muitos focos de violência na obra, por exemplo, brigar e matar por comida ou tomar o poder de assalto. No caso do último exemplo citado, os internos unem-se para destronar os opressores, ferem e matam seus semelhantes, mas por um bem comum. Muitos autores tratam esse tipo de violência como antiética ou desumana, outros dizem que é necessária para que haja paz, se não exterminar as fontes de opressão nunca poderá desfrutar de uma paz em conjunto. Nessa obra notamos uma pitadinha de Marx.
Uma cena muito interessante no filme é a que mostra que a felicidade e a tristeza podem coexistir. As pessoas estão reunidas conversando sobre os últimos ocorridos. Todos perderam a visão repentinamente, tiveram suas vidas modificadas sem nenhuma explicação, não possuem esperanças, estão todas tristes, mas um homem possui um rádio o qual coloca para tocar música e todos compartilham do mesmo momento de felicidade, mesmo possuindo gostos musicais diferentes.
Noutra cena, os internos tentam telefonar para um órgão responsável por enviar algo que eles precisassem, mas ninguém respondia do outro lado da linha. Um homem tem uma ferida que começa infeccionar o casal responsável por umas das alas tenta dialogar com os soldados que faziam a segurança do local para obter remédios para o rapaz e são ameaçados de morte. Essas cenas nos mostram o descaso do Estado pela população. A cegueira coletiva era tratada como uma doença epidêmica pelas autoridades mundiais, mesmo assim, a única extensão do Estado que chegava até os doentes, era a policia.
As personagens do filme vão interagindo o tempo todo e dessa interação vão surgindo relações de amizade ou não. Nenhum sentimento nosso é duradouro o suficiente para se dizer eterno, basta que mude o local e as pessoas de convivência e tudo começa reciclar-se naturalmente.
As pessoas que estavam presas no prédio abandonado tinham medo de saírem no pátio, por conta da guarda, fugir estava fora de cogitação. Nesse momento nota-se uma relação com a obra de Foucault, “Vigiar e Punir”. Se não podem ver aqueles que te vigiam é melhor que não tente nada contra eles, mesmo não tendo ninguém na guarita eles não tentavam fugir por não terem certeza e nessa incerteza acabavam por vigiarem a si mesmo.
As imagens de santos na Igreja estão todas vendadas. Aqui podemos ver uma humanização das divindades, desde a Grécia antiga que os deuses possuem formas humanas, na realidade do filme eles estão cegos assim como toda a população. Fazemos isso com extraterrestres também.
Na Bíblia existe uma história de um cobrador de impostos chamado Paulo, por cometer muita brutalidade e ser alguém rancoroso, recebe de Deus um castigo, fica cego e só depois de arrepender-se e mudar de nome é que tem de volta sua visão. Nesse livro especifico a religião procura conscientizar as pessoas, dizendo que a maldade cega (no sentido figurado) as pessoas e para voltarem a ser boas precisam enxergar o mundo de outra maneira, redimir-se de seus erros. No filme é uma questão de experiência, quando se fica uma temporada sem ver nada, ao voltar ao normal terá uma nova concepção de mundo.
O diretor foi brilhante quando pensou em filmar esta obra em diversas cidades, pois, assim traz para perto de nós essa possível realidade, sentindo mais perto da catástrofe, o medo e a reflexão são maiores.
Um outro detalhe muito importante é a única mulher que não foi afetada pela cegueira estar guiando os demais dentro e fora do prédio, o que pode ser compreendido de muitas maneiras, talvez o futuro da nação esteja nas mãos de uma liderança feminina, e a nação a qual me refiro é a humanidade, mas os pequenos focos crescerão.
A guia dos cegos pode ser vista como a imagem da mulher emancipadora, tendo visão significa que está à frente dos demais, guia-los para a evolução, para fora da barbárie é o papel de qualquer pessoa que deseja o bem comum. Em outros tempos esse papel seria de um homem, mas nossa realidade está diferente, evoluída, e podemos pensar na mulher como agente social. Podemos esperar mudanças vindas de pessoas que historicamente foram oprimidas e inferiorizadas. Essa mulher no filme pode ser compreendida como a mulher liberta e evoluída.
No final, cada pessoa vai recuperando a visão, uma após a outra, e a mulher que nunca ficou cega pensa agora estar ficando. A única pessoa que não passou pela experiência da falta de visão teria a oportunidade de compreender como é estar naquele patamar? Talvez teoricamente, mas caso não fique cega, fisicamente, mentalmente ela será, pois, essa “visão” de mundo ela nunca terá.
Depois de escrever apontando tantos aspectos importantes para nossa realidade atual e mundial, seria desnecessário dizer que o livro e o filme são obras maravilhosas.
(Rei Kinomoto e Rodrigo Ribeiro) 

O pequeno principe

O livro e o filme de mesmo nome, começa com a descrição de um pequeno asteróide chamado B-612, localizado em nossa galáxia. Nesse pequeno astro celeste vive um único garoto que seria solitário se não tivesse sua amiga para conversar e a visita de gansos selvagens que as vezes passavam próximo ao seu asteróide. O Pequeno Príncipe como é chamado o habitante do B-612, trabalha arduamente todos os dias limpando seus três vulcões miniaturas, arrancando as sementes de árvores grandes que são levadas ao asteróide por correntes de ar vindas de outros planetas e cuidando de sua amiga que na verdade é uma pequena e linda rosa.
Nesse trecho podemos perceber que o Pequeno Príncipe trabalha espontaneamente, sem pressa nem obrigação, o faz por amor à sua terra e a si mesmo. Ele trabalha de forma natural, não mais do que o necessário, não torna-se escravo de sua força de trabalho, suas ações corriqueiras é o que Marx chamaria de trabalho que transforma e enaltece o homem.
Deve-se ter noção de que ele é uma criança que nunca cresce, então, esse trabalho é na verdade uma atividade lúdica, da qual ele cria seu mundo imaginário para suprir as necessidades da vida real. Freud diz que nossas forças mentais dividem-se em dois caminhos: o do inconsciente que traz consigo o prazer e o do consciente que traz a realidade. Nessa separação o ser humano acaba vivendo com uma imagem falsa de seu objeto de busca e prazer, o que não lhe traz nenhuma satisfação. A criança por meio da brincadeira, consegue corrigir essa cisão, traz seus desejos para o mundo real e o transforma em seu mundo. A vida real não tem muito de realidade visto que vivemos apenas com um espectro de nossos anseios, a criança consegue unir o mundo real e o da fantasia, mas com o passar do tempo o adulto deixa que a realidade domine a fantasia e perde o contato com a arte da criação de mundos. A personagem do livro/filme nunca cresce, portanto, terá sempre seu lado criança ativo, estará sempre convivendo com dois mundos, essa metáfora é percebida em suas viagens a outros planetas.
A primeira parte do livro/filme (Antoine de Saint-exupéry) mostra-nos o fantástico mundo da criança, o mundo de criações e de invenções de mundos dentro de um outro mundo, como elas criam e representam a todo instante suas criações. Mas os adultos por não entenderem ficam perguntando e opinando o tempo todo. Nesse período é que acontece a morte de muitos futuros talentos, os adultos limitam as crianças, tiram delas seus sonhos, fantasias, desencorajam suas ações e tudo isso por que se vêem incapazes de fazer o mesmo.
O desenvolvimento da criatividade e inteligência da criança é um período complicado, a criança torna-se sensível e suscetível às cisões. Quando uma criança está descobrindo o mundo, unindo realidade e fantasia, necessita de espaço e apoio, pois, caso for contrariada ela esconderá a inteligência que estava desenvolvendo. Por medo de tornar-se diferente e deixar de ser amada e acolhida, abre mão do direito da sua inteligência. Esse choque é tão grande que muitas crianças demoram anos para reunirem coragem necessária para tentar desenvolver novamente aquilo que lhe foi interrompido, em alguns casos isso jamais acontece, se por acaso a pessoa tentar de novo e novamente for podada, certamente esconderá seu talento por mais tempo do que a vez anterior ou para todo o sempre. No decorrer do livro/filme o autor/diretor mostra os adultos que sofrem os efeitos dessa interrupção; são pessoas rígidas que não compreendem a realidade, não possuem objetivos e acreditam que sua postura compulsiva e medíocre diante do conhecimento é o maior aspecto da maturidade. Adorno (filosofo alemão da escola de Frankfurt) trabalha com o tema de emburrecimento da criança, ou as podas que fazemos com elas.
O pequeno príncipe dá muito valor à individualidade, mostra o quão belo é o deserto somente por possuir um poço em algum lugar que não se pode ter certeza de onde é, diz que não importa o número de rosas que cultive se não pode encontrar o que procura, bastaria cultivar uma e encontrar sentido nisso. A individualidade é um detalhe que nos torna únicos, o que nos leva a pensar que para isso valer, necessita-se de outro indivíduo.
Numa de suas viagens à Terra, o pequeno príncipe conhece uma raposa que em determinada conversa com ele diz que, o essencial é invisível aos olhos. São os detalhes, ou o envolvimento que temos com o objeto, nunca seremos felizes se buscarmos incessantemente a felicidade.
Enquanto esteve no deserto o pequeno príncipe conversou com uma serpente, ele disse que se sentia só no deserto e queria encontrar os homens, mas a serpente lhe diz que entre os homens também nos sentimos só.
No livro nem tanto, mas no filme a sepente se mostra totalmente demoniaca, se repararmos bem nas músicas que ela canta, podemos perceber que a serpente está se denominando "o diabo", sim a mesma serpente do Éden.
Acreditamos que a individualidade serve para separar as pessoas, para sobrepor umas às outras, quando na verdade esta serve para tornar uma pessoas amada e fazer com que outra ame. Os adultos possuem enorme dificuldade de entender isso e fazem da individualidade uma completa solidão, o que vai totalmente contra o objetivo de sermos únicos.
O filme traz uma comparação muito boa com os animais que o pequeno principe encontra e suas caracteristicas, sempre representadas por um ser humano. Tanto que quando o guri encontra o humano, ele diz que pensava que todas as pessoas do planeta Terra, fossem serpentes, isso por ter sido ela a primeira forma de vida com quem ele teve contato.
O livro/filme trata do universo infantil e como nós adultos temos uma participação em seu desenvolvimento, fala também do nosso universo, como o vemos ou no caso deixamos de vê-lo, da importância que damos para certas coisas as quais viveríamos melhor sem, ou seja, de como aprendemos a ser adultos e ficamos cada vez mais distantes da realidade buscando o nada.

A guerra do fogo

         Como ilustrar a pedra lascada como um avanço tecnológico à pré-adolescentes donos de vídeo games, motocicletas e celulares? Uma das maiores dificuldades que encontramos no ensino da pré-história para crianças e adolescentes é estimular o recuo imaginário a um tempo remoto e com isso demonstrar que aparentemente, pequenos eventos naquele tempo e espaço representam mudanças drásticas no relacionamento dos hominídeos com seus semelhantes e com a natureza ao redor.
Com certeza qualquer pessoa em algum momento de sua vida deparou-se com alguma reprodução de pinturas rupestres e por mais que tentasse entender aquilo, nada lhe era esclarecido. Com esse filme alguns professores tiveram mais sorte em exemplificar alguns comportamentos e fragmentos da história, talvez apresentando-o numa aula, seria uma das poucas em que a metade dos alunos estariam dormindo ou jogando baralho.
Lançado em 1981, numa produção Franco-Canadense, “La Guerre du feu” é um longa que levanta hipóteses sobre o meio de sobrevivência de três estágios de evolução humana apresentados: Australopitecus, Neandertais e Homo sapiens. O tema central é a dominação do fogo, que apresenta-se diferente nos três tipo de tribo. Podemos destacar também, a evolução da linguagem e da organização social.
O delírio sobre como uma tribo se relacionaria/comunicaria, encontraria, disputaria e faria interações subjetivas é a base do roteiro assinado por Anthony Burguess, foneticista e consagrado autor do livro Laranja Mecânica. Burguess fez incríveis adaptações e linguagens usadas por aqueles hominídeos além de fazer compreensível toda uma história recheada de grunhidos, mamutes mal acabados e situações que, aos nossos olhos, nos parecem absurdas.
Fica-nos como destaques inesquecíveis o comportamento muito peculiar dos três guerreiros protagonistas, incumbidos da recuperação do fogo. Há a cena em que um deles atira uma pesada pedra no outro e todos inclusive o apedrejado, com a cabeça sangrando têm um ataque de riso. A expressão de desapontamento do protagonista quando retorna para casa com o fogo e um irmão da tribo o derruba na água, é impossível de ser imitada novamente no cinema.
O protagonista e seu grupo pertencem à raça dos Neandertais. Mais tarde encontram uma garota pertencente à raça mais avançada, já sabia obter o fogo sem depender da extração do mesmo diretamente da natureza, pintavam os corpos nus, moravam em cabanas nos campos, possuíam uma organização social mais estabelecida, não precisavam de tantas vestes já que podiam ter fogo quando desejassem e devido a esse conforto eles desenvolveram algo que se pode chamar de primeira fala.
Com a descoberta do fogo o povo mais avançado desenvolveu laços mais fortes com seus parceiros, uma cena que retrata isso é justamente quando o protagonista é capturado e levado para a tribo onde residia a garota, o líder religioso da tribo depois de cuidar, pinta-lo e alimenta-lo, oferece ao rapaz uma mulher, esta deita-se e espera a copulação ao invés de prostrar-se como faziam as mulheres da tribo do herói.
“A Guerra do Fogo” surpreende por conta da sensibilidade com que trata esse tema tão complicado, no qual povoam ainda poucas certezas e muitas teorias.
Como ficção, este filme revela de maneira simples uma narrativa poderosa com a qual sem dúvida, nos identificamos como seres dotados de grande capacidade de adaptação e cujo tempo parece nos tornar sempre mais intrigantes.

Babel

Este é o terceiro episódio da serei criada pelo diretor, não deixe de conferir também, "Amores brutos e 21 gramas".
Babel; conquistou o prêmio de melhor filme, trilha sonora e diretor. Uma obra prima de Alejandro González e do magnífico elenco.
Fala sobre os abismos que existem entre as pessoas, válido para todos habitantes do planeta. Tudo aquilo que nos diferencia do outro é um abismo entre nós.
Um acidente em Marrocos desencadeia vários eventos que ligam quatro grupos de pessoas separadas pela distância e diferenças culturais, as mesmas vão se conectando no decorrer da história. Um caçador japonês viaja ao Marrocos e presenteia um amigo que fizera por lá, dando-lhe um rifle de caça. A arma mais tarde é vendida para uma família que vivia nas montanhas. Dois garotos brincando com ela, atingem uma turista americana dentro de um ônibus de excursão. A mulher baleada tem dificuldades em ser socorrida, devido estar num país estrangeiro, mesmo com todos os esforços de seu esposo, ela fica a mercê da embaixada americana. Um morador de uma cidade próxima de onde ocorreu o acidente, oferece sua casa para que ela fique até chegar o socorro. No outro lado do mundo, o dono da arma é procurado para prestar depoimentos à polícia japonesa, no entanto, quem tem contato com os policiais não é o dono do rifle, mas sim sua filha que possui uma deficiência auditiva. Enquanto o casal americano aguarda socorro, seus filhos ficam com uma babá mexicana, ela querendo participar do casamento de seu filho leva as crianças para o país vizinho, tudo teria corrido bem se não fosse pelo motorista estar alcoolizado e ter uma divergência com os guardas na fronteira. Esse fato faz a babá perder as crianças no deserto, ser detida e mais tarde ser despedida de seu emprego.
As barreiras que estão entre os seres humanos são incontáveis, uma delas pode ser percebida pelo título da obra, Babel é uma referência ao mito religioso sobre a origem dos diferentes idiomas e interesses próprios.
O primeiro abismo que separa a humanidade é a distância, logo seguido pelos valores culturais e subjetividades, depois vem idiomas, desejos, peculiaridades, imagem pública, gênero sexual, nacionalidade, deficiências, religião entre outros mais. Uma barreira quase imperceptível no filme é a comunicação, muitas vezes nós acreditamos ou queremos crer que só existe um meio de se comunicar, mas a guria japonesa, mostra que um surdo pode falar por sinais, letras e utilizando-se de meios tecnologicos.
As crianças americanas ficam chocadas com as festas do povo mexicano que mata animais com as próprias mãos, essa prática é exótica não só para americanos, mas dentro de um país há costumes que não são aceitos por toda sua população.
O incesto não é aceito nas comunidades religiosas de origem judaico-musulmanas-cristã (ao menos não hoje), mesmo assim o garoto marroquino deseja sua irmã, ela insinua-se para o mesmo e ambos sabem que tal prática era motivo de vergonha para a família que tinha seus valores baseados na religião.
A garota japonesa queria encontrar um namorado e por conta de sua deficiência auditiva essa era uma tarefa extremamente difícil. Os jovens conhecem a diversão nos mais variados níveis de consciência, às vezes para obterem um momento divertido recorrem a substancias químicas ou drogas como chamamos. O consumo de drogas é altamente criticado por adultos conservadores, mas amplamente aceito no universo juvenil. Nas cenas envolvendo a filha do caçador notamos muitas das barreiras que ficam entre a humanidade, o policial não pode envolver-se com ela por ser um agente do governo, por ele ser mais velho que ela e possivelmente por ser casado.
Essas linhas imaginárias que nos distanciam, não são certas nem erradas, apenas mantém cada ser humano incalculavelmente distante de outro. A teoria do caos pode ser vista no filme, um evento aparentemente desconexo de qualquer outra coisa no mundo, muda a vida de pessoas ao redor dele. Todos os eventos são aparentemente restritos ao seu país, mas aos poucos um conecta-se ao outro de forma que tudo se transforma numa única história, o que nos chama atenção para vigiarmos melhor nossos atos, pois, não sabemos quais as possíveis conseqüências que sofreremos por atravessar a rua.
Nós não percebemos o quanto a humanidade é fragmentada, mas se pararmos dez minutos para pensar nos níveis de relação social que temos, perceberemos que estamos entrando num labirinto de espelhos, quanto mais se cria graus de relação entre um ser humano e outro, menos eles interagem. Para se ter noção dessas fragmentações pode-se pensar em como tratamos, o melhor amigo, um conhecido, o amor de nossas vidas, um inimigo, uma pessoa de crença diferente, um policial, o médico, o patrão, nossos empregos, o professor, o filho, nossos ídolos, um desconhecido no ponto de ônibus, o fora da lei, nossos irmãos e até nós mesmos. Esses abismos estão mais presentes em nosso cotidiano do que se pode imaginar, não precisamos evitá-los, só tomar cuidado para que não cresçam cada vez mais ao ponto de perdermos o semelhante de vista.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pocahontas

O filme da Disney, Pocahontas, é preciso, em muitos aspectos. Ele captura bem o espírito da mulher Pocahontas e seu povo, assim como o espírito dos primeiros dias de: Jamestown. As representações de Fort James e Powhatan, e a vida da aldeia são retratados de forma autêntica, acordo com o conhecimento histórico e arqueológico em curso. Londres, o deserto de Virgínia, e o navio Susan Constant foram cuidadosamente pesquisados. John Ratcliffe era de fato responsável pela colônia, quando João Soares foi capturado e libertado por Powhatan. E por último, mas não menos importante, John Smith escreveu que ele foi salvo da execução pela Powhatan Pocahontas, quando se atirou de cabeça entre Smith e a arma de pedra do índio chefe.
O filme "Pocahontas" foi um dos únicos da Disney inspirado numa história real. É baseado nos mitos sobre a vida de Pocahontas, uma linda índia. A verdadeira Pocahontas se chamava Matoaka (Pocahontas era um apelido de infância que significava “pequena travessa”) e nasceu em 1595.
Em 1607, um grupo de colonos ingleses chega a uma terra indígena, que hoje tem o nome de Virgínia. Dentre os Chamados 'Selvagens' que habitam essa terra vive Pocahontas.
Em abril de 1607, quando Pocahontas rondaba os 10 ou 12 anos, os colonos ingleses chegaram a Virginia e começaram a construir assentamentos, na mesma época em que seu pai era o líder da tribo powhatan. Um dos líderes dos colonos, John Smith, foi capturado por um grupo de caçadores powhatan e levado a Werowocomoco, uma das villas do Império Powhatan. Smith achava-se recostado sobre uma pedra para ser executado, quando a jovem Pocahontas se atirou em cima de seu corpo para defendê-lo.
É interessante notar que os ingleses chegaram no “Novo Mundo” com a visão de que tudo era pertencente a eles. Só precisavam desembarcar e levar o que pudessem, e caso encontrassem algum selvagem, eles dariam um jeito. Selvagem, para os ingleses era todo aquele que não pertencia a uma civilização com modelos urbanos ou semelhantes aos modelos europeus.
Na cena onde John e Pocahontas se encontram pela primeira vez, a Disney marcou um ponto importante, pois, ambos falam idiomas diferentes, só após um evento mágico é que passam a entender-se, ou seja, após um certo envolvimento.
Assim como os europeus, os índios carregam também seus preconceitos, quando estavam prontos para vingar a morte de um irmão, cantavam ofendendo os ingleses dizendo que os brancos não tinham sangue e que tinham pelos na cara como animais, do outro lado os ingleses cantando e proferindo injurias aos nativos, dizendo que eles não tinham alma.
No filme tanto Pocahontas quanto John Smith eram jovens, mas na realidade John tinha cerca de 28 anos quando a encontrou e ela tinha por volta de 10 ou 12. No livro “Enterrem meu coração na curva do rio” do autor Alexander Dee Brown, há uma menção sobre a índia da Disney, porém, diz que seu pai a vendeu num acordo de paz com os brancos. Também diz que após ser vendida, foi batizada segundo as tradições do cristianismo e recebeu o nome de Rebeca.
Como se trata de um filme baseado num fato histórico, podemos trabalhar explicando as diferenças entre ficção e realidade ou simplesmente aprofundarmos no fato real, para entender melhor a criação do filme.
O filme é bom, mereçe um espaço de renome e mais importante, precisa ser analisado com muito cuidado.
A película é dotada de um forte conteúdo histórico, é criado pela maior produtora de filmes da América direcionados às crianças, e sendo esse filme produzido no formato animado e musical, perde um pouco de credibilidade por conta do preconceito carregado por muitos de não assistir à filmes para crianças.
O filme foi produzido pelos Estados Unidos, contando uma historia sobre Ingleses. Seria contada da mesma forma, com os mesmos detalhes, se fosse uma historia envolvendo indígenas e Estadunidenses? Ou o preconceito seria estampado como no desenho do pica-pau?
Com certeza esse filme foi direcionado às crianças, nota-se pela musicalidade e personalidade das personagens, mas não é um filme feito unicamente para entretenimento.