Como ilustrar a pedra lascada como um avanço tecnológico à pré-adolescentes donos de vídeo games, motocicletas e celulares? Uma das maiores dificuldades que encontramos no ensino da pré-história para crianças e adolescentes é estimular o recuo imaginário a um tempo remoto e com isso demonstrar que aparentemente, pequenos eventos naquele tempo e espaço representam mudanças drásticas no relacionamento dos hominídeos com seus semelhantes e com a natureza ao redor.
Com certeza qualquer pessoa em algum momento de sua vida deparou-se com alguma reprodução de pinturas rupestres e por mais que tentasse entender aquilo, nada lhe era esclarecido. Com esse filme alguns professores tiveram mais sorte em exemplificar alguns comportamentos e fragmentos da história, talvez apresentando-o numa aula, seria uma das poucas em que a metade dos alunos estariam dormindo ou jogando baralho.
Lançado em 1981, numa produção Franco-Canadense, “La Guerre du feu” é um longa que levanta hipóteses sobre o meio de sobrevivência de três estágios de evolução humana apresentados: Australopitecus, Neandertais e Homo sapiens. O tema central é a dominação do fogo, que apresenta-se diferente nos três tipo de tribo. Podemos destacar também, a evolução da linguagem e da organização social.
O delírio sobre como uma tribo se relacionaria/comunicaria, encontraria, disputaria e faria interações subjetivas é a base do roteiro assinado por Anthony Burguess, foneticista e consagrado autor do livro Laranja Mecânica. Burguess fez incríveis adaptações e linguagens usadas por aqueles hominídeos além de fazer compreensível toda uma história recheada de grunhidos, mamutes mal acabados e situações que, aos nossos olhos, nos parecem absurdas.
Fica-nos como destaques inesquecíveis o comportamento muito peculiar dos três guerreiros protagonistas, incumbidos da recuperação do fogo. Há a cena em que um deles atira uma pesada pedra no outro e todos inclusive o apedrejado, com a cabeça sangrando têm um ataque de riso. A expressão de desapontamento do protagonista quando retorna para casa com o fogo e um irmão da tribo o derruba na água, é impossível de ser imitada novamente no cinema.
O protagonista e seu grupo pertencem à raça dos Neandertais. Mais tarde encontram uma garota pertencente à raça mais avançada, já sabia obter o fogo sem depender da extração do mesmo diretamente da natureza, pintavam os corpos nus, moravam em cabanas nos campos, possuíam uma organização social mais estabelecida, não precisavam de tantas vestes já que podiam ter fogo quando desejassem e devido a esse conforto eles desenvolveram algo que se pode chamar de primeira fala.
Com a descoberta do fogo o povo mais avançado desenvolveu laços mais fortes com seus parceiros, uma cena que retrata isso é justamente quando o protagonista é capturado e levado para a tribo onde residia a garota, o líder religioso da tribo depois de cuidar, pinta-lo e alimenta-lo, oferece ao rapaz uma mulher, esta deita-se e espera a copulação ao invés de prostrar-se como faziam as mulheres da tribo do herói.
“A Guerra do Fogo” surpreende por conta da sensibilidade com que trata esse tema tão complicado, no qual povoam ainda poucas certezas e muitas teorias.
Como ficção, este filme revela de maneira simples uma narrativa poderosa com a qual sem dúvida, nos identificamos como seres dotados de grande capacidade de adaptação e cujo tempo parece nos tornar sempre mais intrigantes.
Putz!Esse eu assisti na faculdade, no primeiro ano. Faz tempooooo.
ResponderExcluirrs
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